28 de dez de 2015

Ceda Lugar ao Novo!

 Por: Eliana Rezende

Em uma sociedade onde consumir é a regra, ter e ostentar seja o natural, parece estranho falar em ceder espaço.
Proponho substituir a tão batida palavra desapego, por ceder espaço.
A palavra desapego teria um significado muito interessante, mas de tão usada e repetida parou de ter o sentido que se esperaria dela. Como tantas outras palavras, perdeu valor por ser moeda fácil e de quase nenhuma aplicação.


Ceder espaço, neste sentido, dá ao desapego o sentido mais essencial de seu significado original.

Ao falar em ceder espaço, parto de uma constatação muito simples: as pessoas em geral distraem-se muito com o ter e esquecem-se do ser.
E explico porque considero o ter uma tremenda perda de energias:

"O que temos não podemos levar a todas às partes, já o que somos vai conosco pela vida, pelo tempo e espaço. Por isso sempre é bom arranjar meios para simplesmente ser".  (Eliana Rezende)

Os entulhos espirituais, emocionais ou materiais devem, por força de nossa saúde e bem estar, ser eliminados.

Aqui faço uma metáfora simples que é da minha área profissional e que se aplica com propriedade à vida: os documentos em um trabalho de Gestão Documental obedecem uma Temporalidade. Transcorridos o tempo e suas funções são eliminados, e somente os de muito valor são preservados para à posteridade, num para sempre eterno.
Com este processo garantimos que apenas aquilo que tem valor sobreviva ao tempo, e o restante, que ocupa recursos e espaços desnecessários são entregues ao seu fim.

Apenas o essencial para carregar

Imagine que maravilha poder olhar para uma relação que nos desgastou, um emprego que nos sugou, uma pessoa que nos vampirizou, e simplesmente dar-lhes um tempo limitado. Feitos todos os estragos e aprendizados em nossas existências, partirem sem deixar rastros!
E nós, por outro lado, sem permanecermos num infinito retorno e amargor desses desencontros. Entenderíamos como apenas algo que tinha uma função, e que tendo sido cumprida cederia a vez a próxima aprendizagem. 

Se fôssemos capazes de definir prioridades para as nossas vidas e saber desapegar-nos daquilo que não importa, interessa ou acrescenta, estaríamos sempre leves para cada novo que chegasse. 

Penso na vida, um pouco, como um longa viagem e que como tal não permite excesso de bagagem. Todos sabem o que uma mala com sobrepeso representa numa longa viagem, não é mesmo? Quase sempre, um esforço desmesurado que ao fim não vale o que nos custa.
Os inexperientes descobrem, à duras penas, que não adianta levar uma mala cheia, que voltará quase sempre sem ter sido mexida, e que os pesos e contrapesos darão apenas dores musculares e taxas extras nos aeroportos.

Pense a vida como aquela ponte que nos leva de uma margem à outra. Ninguém pensaria em sobre ela construir um prédio com fundações. Uma ponte é apenas caminho, passagem. Seu objetivo é nos levar de um ponto a outro. Não se fixa residência sobre uma ponte! Assim é a vida. Um caminho que deve ser feito de mãos livres, mente, coração e olhos abertos, ouvidos atentos a tudo o que for apresentado aos sentidos.


Em geral, tal como as malas arrastadas por uma viagem inteira, as mãos, os corações e as mentes ocupadas em carregar os entulhos passados não permitem que estejam abertas para receber o Novo da vida. Como aceitar algo com as mãos, se elas estão presas e seguram algo que já passou?

É preciso se convencer que não se pode seguir pela vida acumulando e tendo tudo.
Escolhas precisam e devem ser feitas, e quando aprendemos esse desapego simples que é até de se questionar sobre se de fato precisamos mesmo daquele parafuso ali naquela gaveta, sentimos uma liberdade de ser que não se compara a compulsão do ter.

Um exemplo muito simples mostra esta compulsão pela posse e ostentação futura: as pessoas viajam e em vários casos, em vez de tentar sentir sua viagem, seus odores e sabores, ficam disparando fotografias para todos os lados e a distração em fotografar os tira da concentração de viver o momento.
Querem uma imagem para postar na rede. Clicam rapidamente para ter o consentimento de esquecer.
Desapego aqui seria preocupar-se em fixar imagens e sensações em si... e não em um gadget!
E de novo temos o sentido do que é o ter e o ser.
Ao término da viagem haverá uma coleção de imagens, mas e a verdadeira viagem, aquela que é um deslocamento da alma e dos sentidos? Será reduzidas a imagens e selfies? Tão pouco, não é? Isso para mim é o maior exemplo de pobreza. Ainda que as imagens sejam de pores do sol pelo mundo!

O horizonte do desapego é largo, e pode incluir tantas coisas.
Se bem conduzido, passará longe de ser perda! Ao contrário, será extremamente rico e para alguns chegará a ser libertador.



Mas não falo apenas daquela bolsa, sapato, roupa ou brinquedo tecnológico. Falo de sentimentos, pessoas, empregos, funções que já não nos servem mais e que insistimos em mantê-las nos armários de nossas existências, quer por medo de não encontrar substituto, quer por medo de sermos rapidamente substituído e descobrir que afinal, nem éramos assim tão indispensáveis.

É preciso compreender que podemos achar que temos a posse de algo, mas em verdade somos possuídos. Somos possuídos por medos, inseguranças, fragilidades. A posse longe de dar conforto e segurança aprisiona, tira objetivos e se transforma em uma gaiola que temos a chave, mas temos medo de usá-la.

Descobrir que o melhor que temos está dentro, e, pode ir junto por toda a parte, é o melhor dos aprendizados.
Infelizmente alguns levam a vida a toda e não aprendem essa lição e a do acúmulo lhe toma toda a existência.

Assim, se você passou um ano inteiro sem calçar um sapato, usar uma bolsa, uma roupa fantástica que você pagou os tubos, não ligou uma única vez para aquela pessoa, talvez seja um forte indício de que você precisa exercitar o desapego. Se passou um ano inteiro, perdeu todas as oportunidades que poderia ter, e portanto, definitivamente não precisa disso para si.

Ceda espaço... ceda lugar ao novo.
Faça isso tudo circular nos armários, gavetas, garagens, na vida!
Afinal, tudo é um empréstimo que a vida te deu: usufrua, sem apego apenas com discernimento.

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17 de dez de 2015

Natal sem trenó: o Eduardo Cunha manobrou!

Por: Eliana Rezende

Deu em todos os noticiários* e na Lapônia estão todos muito preocupados. Afinal, após séculos o Papai Noel não poderá distribuir presentes no Natal?
Eduardo Cunha buscando aumentar sua influência e com o apoio de muitas lideranças vem realizando seguidas manobras contra o que considera um perigo comunista.


Desta vez, conseguiu realizar manobras e tirou de Papai Noel seu trenó. Teve como ajuda a participação de um tal juiz, que acusa Papai Noel de usar recursos recebidos de partidos vermelhos para fabricar brinquedos e depois distribuir. Isso segundo sua linha de investigação é Comunismo!
Só mesmo com prisão preventiva.

Foram também afastadas de suas funções, e de novo por manobras de Cunha e suspeitas do tal Juiz as renas. Trazem indícios fortíssimos de serviço prestado às esquerdas, já que até nariz vermelho possuem!

E de quebra as roupas de Papai Noel também foram confiscadas. Como um homem pode andar por aí todo vestido de vermelho?! Comunista e barbudo! É óbvio.


Cunha numa manobra espetacular intercedeu também nas entregas de cartas. Alega que cartas, em especial as de rompimento e de amor são ridículas e que sendo assim evitará cartas de desfechos entre vice-presidentes para presidentes, de deputados contra presidentes de Câmara, de delações, de povo para seus governantes, e claro, de cartas de pedido de brinquedos (em especial porque os querem de graça!).  Segundo ele, Papai Noel incute nas crianças um sentido de que se ganha presentes por merecimento e fazer coisas boas. O que no mundo real é uma tremenda mentira! Meritocracia neoliberal e conchavos não funcionam assim.

Ainda no campo das manobras e como forma de resolver dois problemas em um, Eduardo Cunha já colocou em votação a alteração do mapa do Brasil. Desta forma, a Lapônia e a Suíça passam a ser território no Norte do Brasil. A fábrica de brinquedos e o lucro advindo poderá ser taxado no Brasil e o pobre do Cunha poderá continuar a afirmar que nunca seu dinheiro deixou as fronteiras do país. Em relação à concentração de renda...bem... ele não se importa: acredita que estando tudo em suas mãos fica mais fácil distribuir entre suas diferentes contas. Não deixa de ser distribuição de renda, como é óbvio! Qualquer bom advogado consegue comprovar isso.


Dentre as muitas manobras natalinas de Eduardo Cunha está a principal: não quer que a Missa do Galo seja rezada pelo Papa no Vaticano. Considera que este rito precisa ser modificado, e que quem tem condições de propor um novo rito é ele. Acha mais adequado que ele próprio conduza os trabalhos numa sessão de horas extras na Câmara e que tenha o seu baixo clero como auxiliares. Assim, garante um rombo ainda maior no orçamento da união e expande seu evangelho particular para o mundo tirando de cena um representante do cristianismo como o Papa. Além do mais, argumenta que o Papa usa branco só para disfarçar, mas é um comunista e ainda por cima defende pobres, mulheres, direitos humanos, de Gays e sociedade LGBT.

A polêmica em torno de manobras é muito grande. Imaginem que teve que registrar um Porsche em nome de Jesus.com. Sabemos como é: domínios precisam ser muito bem delimitados. Assim, Cunha precavido como sempre só deu autorização para Jesus ter um único carro. Seria uma confusão imensa se todo mundo resolvesse fazer manobras por aí!


Dos céus vem ainda uma outra reclamação mais grave: desde que se converteu Cunha já adiou a vinda de Cristo e o Dia de Julgamento por 6 vezes! Ele sempre nega. Diz que manobrou sim seu julgamento no Conselho de Ética por 7 vezes, mas não tem nada a ver com o Julgamento de Cristo. Mas acha que vai, a partir desta acusação de Deus, processá-lo por calúnia e difamação. Incrível como se pode conseguir vantagem de vias improváveis: lei e advogados são para isso, segundo seu raciocínio. Deus teria que dar-lhe uma boa indenização. Quem sabe conseguisse manobrar e adiar para bem mais tarde sua ida ao Inferno.

Por sinal, um problema sério de sucessão vem ocorrendo nas profundezas. Diz-se que Lúcifer não quer ver Cunha tão cedo. Pressente manobras deste para comandar o Inferno e sucede-lo sem piedade.
Sabe que este, tem uma horda de seguidores, que pelo poder fazem qualquer coisa, e que colocam em risco a segurança e o bom trabalho de milhares de anos que o Inferno vem desenvolvendo.
A única explicação é uma mutação. Em Brasília conseguiram aprimorar o que levou séculos para ser efetivado. 
Diante disso, teria que pedir asilo e só lhe sobraria o Céu, já que o Inferno não seria local seguro e com concorrência desleal.
   
Agora o maior mistério de todos e que não quer calar: qual seria a marca de botox que Eduardo Cunha usa na cara? Nem uma ruga sequer de preocupação! Mas cá comigo acho que como é um conservador nato, é mesmo cara de pau e capricha no óleo de peroba.



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* Faço aqui uma homenagem a todos os que usam da escrita para criticar de forma criativa o que Eduardo Cunha significa de ser abjeto e desprezível. São memes, Blogs, Colunistas, Semanários. Todos me inspiraram e a todos eles meu obrigada.

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13 de dez de 2015

Geração digital não sabe pesquisar? - Parte II

Por: Eliana Rezende

Em outro post iniciei uma reflexão sobre as dificuldades que jovens, e mesmo adultos, tem tido para realizar suas pesquisas. Em muitos casos esta dificuldade se dá pelo excesso de informação acessível, e em outros se dá pelo simples fato de que há uma preguiça e acomodamento intelectual em relação ao que se pesquisa.

Toda pesquisa é uma tentativa de encontrar uma resposta a um questionamento. Concluo que, em boa parte das vezes alguns não sabem o que perguntar. Não saber a pergunta adequada inviabiliza à partida o princípio do que quer que seja.
Por outro lado, o questionamento que leva à uma reflexão precisa ser crítico. Esta crítica que move questionamentos deve ser construtiva e problematizada.
Boas perguntas com certeza gerarão problematização e maior verticalidade no que se aborda.
É importante ter claro que, até quando se pergunta, é preciso ter profundidade. Saber ir no ponto mais fulcral.

Reforço que a qualidade das respostas depende exclusivamente de perguntas bem conduzidas e apropriadas. Sem saber o que perguntamos como poderemos enxergar que estamos diante de uma boa resposta?

Um exemplo nítido disso pode ser dado em áreas afins à pesquisa e está presente na vida de alguns profissionais, como é o caso dos bibliotecários. Não sou bibliotecária, mas sei que muitos bibliotecários se defrontam diariamente com esta situação de alguém que quer pesquisar e não imagina nem por onde começar. Não sabe quais as perguntas que precisam fazer para a construção de um argumento investigativo.

Se não está claro, para quem pesquisa, qual é o seu objeto de análise, tudo fica nebuloso e só perguntas sem consistência não servem à produção de conhecimento.
Talvez esteja aqui o grande problema.

Quando faço orientações, o principal problema que os discentes têm é encontrar o seu tema e uma problematização consistente para o desenvolvimento do mesmo. Muitos se perdem e às vezes, abrem um horizonte que não conseguirão amarrar nunca. Costumo dizer que tais alunos (e isso ocorre em diferentes níveis: Trabalhos de Conclusão de Curso, Mestrado e até Doutorado) sofrem do complexo de ser "Deus". Acham que sua pesquisa poderá abarcar tudo. Mas a experiência mostra que a modéstia é um bom argumento. Ao tentarmos tudo abarcar e conter nos fará ir em outra direção: teremos trabalhos que muitas vezes não fazem muito sentido, ou que carecem de discussões mais aprofundadas. Em outras circunstâncias ficam vagos e a profundidade não chega a uma lâmina de água.

Diante deste hiato não haverá catálogos ou ferramentas que deem conta do produto final deste aluno. É importante perceber que o aporte deve vir, não do bibliotecário ou do docente, mas do sujeito que investiga, que busca!

Note que em diferentes cursos temos alunos brilhantes e outros nem tanto, apesar de os professores, os conteúdos e bibliografia ser literalmente os mesmos. Só que é o esforço de construção de cada um que  fará a diferença entre os excelentes e os apenas medianos. A disponibilidade para cavar seus diamantes está dentro de cada um. O caminho da pesquisa pertence ao indivíduo e não é dado por ninguém.

Se tudo dependesse apenas e tão somente de fatores externos estaríamos com tudo resolvido com boas contratações e aquisições. Mas não é assim que ocorre, para o bem ou para o mal.
Após este momento tão crucial na vida de cada um que é o da realização de uma pesquisa de fim de curso ou de estudos pós-graduados temos um segundo momento, e que vemos onde cada um vai.
É o desempenho profissional e a colocação no mercado de trabalho.
Neste mundo real, feito não de boletins, pesquisas e notas, teremos os mesmos diplomas, mas com profissionais diferenciados e onde o "mercado" selecionará os com maiores habilidades de contribuir com sua profundidade e rigor para o desempenho de diferentes tarefas. E, de novo, ninguém poderá fazer a mediação. Todo o rigor e acuidade que o aluno deveria ter sido capaz de desenvolver será posto à prova e poderá mostrar-se um remédio amargo ou um sucesso estrondoso.

O que é claro é que nenhuma sociedade é homogênea, linear... mas podemos dar nosso melhor para que os fossos sejam menores, e que a produção, em especial a acadêmica, não seja rasa.
Se for rasa, contribuirá para uma sociedade calcada no patamar de mediocridade e simplificação.

Diante do exposto temos vários aspectos a considerar.
Quero crer  que as pesquisas acadêmicas tenham o sentido de cientificidade que se espera de uma obra desse porte. Também espero que tenham um sentido de aplicabilidade com resultados. Se está envolta em simples Control C + Control V duvido que passe no teste de "aprovado com bons resultados".
Não falo aqui de muitas produções que ocorrem durante a fase em que se estuda ou mesmo trabalhos de conclusão de curso. Mesmo um Mestrado é sempre considerado um primeiro exercício de reflexão, por isso é chamado apenas e tão somente de Dissertação.

As Instituições e seus respectivos pesquisadores exigem o rigor e a profundidade para poder ser considerado científicos e de contribuição à sociedade e a produção de conhecimento.

Quero alertar que a proposição desta discussão contempla vários níveis: há o problema de crianças e jovens que estudam a base de consulta em Google e Wikis e fazem leituras diagonais de alguns autores.
Há aqueles que fazem sua formação de maneira superficial onde a urgência é apenas um diploma ou certificado. Há os que leem e não conseguem estabelecer um diálogo mais profundo com o objeto de sua leitura e ainda há pesquisadores que fazem de sua vida profissional o sentido de produzir conhecimento.
Portanto, não podemos generalizar e nem colocar o problema nos meios e ferramentas tecnológicas de que hoje dispomos.

A humanidade já produziu gênios e não havia em alguns casos nem a imprensa!
E volto a discussão de sempre: Conhecimento não está em algum lugar e vamos até lá e o tomamos! É tarefa de cada um! Todos são responsáveis e produzem seu próprio conhecimento.
O que se tem em diferentes fontes são apenas e somente informações.

A mediocridade assola a humanidade desde que o mundo é mundo.
O que ocorre é que hoje não é preciso intermediários para conseguir ir fundo na sua própria mediocridade: cada um consegue ir bem fundo sozinho (claro que se quiser)!
Se não quiser, poderá se diferenciar e aprender a ter consistência, sendo arguto em suas inquirições e não aceitar qualquer resposta como a óbvia! Será um interlocutor que saberá ir muito além do gosto disso ou daquilo: porá uma problematização assentada em uma crítica fundada e fundamentada em princípios que norteiam o seu objeto. Como em toda a história da humanidade você tem escolhas! Pode querer estar na vala comum ou não.
É uma questão de opção.

É como acho que disse acima: a boa investigação necessita de boas perguntas. Se de onde parto para pesquisar for um universo plano ou raso provavelmente obterei pouca profundidade e verticalidade desejável.
Todos os agentes envolvidos nesse processo (de pais, a educadores, bibliotecários) devem ser potencializadores não no sentido de "entregar" ao pesquisador, mas em estimulá-lo por caminhos que levam a curiosidade essencial que alimenta as boas indagações e as pesquisas daí decorrentes.

Desta forma, não há responsáveis por isso ou por aquilo.
É uma simplificação culpar Governos, Políticas, Tecnologias, Escolas, Professores, Alunos.
Em verdade, não podemos generalizar e dizer que uma geração não sabe pesquisar. O que temos são pessoas em universos distintos e haverão as que conseguem fazer isso exemplarmente, tanto quanto haverá aquelas que optarão apenas e tão somente por um diploma e uma carreira medíocre.
Simples assim...

Não são as tecnologias que farão pesquisadores! Elas são apenas e somente ferramentas.
Oferecerão, aos que assim o desejar, possibilidades diversas de investigação. Mas definitivamente são elementos neutros: não melhorarão ou piorarão uma pesquisa. Isto precisa ficar claro de uma vez por todas. Preguiça e acomodação intelectual podem existir em qualquer cenário, estando presente ou não meios tecnológicos.
A tecnologia não nos faz melhor ou pior em nada.


Não creio que todos nasceram para pesquisar, estudar ou se pós-graduar.
Mas acho salutar o debate. Pois assim, ainda que o indivíduo decida para si o caminho mais curto e rápido que seja de consciência tomada, e não com aquela atitude de que "eu não sabia" ou de que "a culpa é de..."

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