28 de set de 2015

Sua vida cabe numa timeline?

Escrito e lido por: Eliana Rezende

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Esta tem sido, na última década, a pergunta que milhões tentam responder.
Uma pergunta simples que possibilita alimentar compartilhamentos e publicidades de si por meio da rede mundial mais conhecida e utilizada no planeta, o Facebook.

Em geral o mundo de eterna felicidade, sucessos e realizações em rede pode trazer atrás de si outras verdades. Viver online, compartilhar e curtir pode ser muito mais simples do que viver o dia a dia trocando o olho no olho e suportando as diferentes dificuldades, sem desconectar-se ou com status de invisível.
A vida real tem muito menos 'likes', risos, caras e bocas, frases, causas, militâncias ou animais de estimação!


Em verdade o mundo não mudou tanto!
Ainda escolhemos onde passamos boa parte de nossas vidas, para onde viajamos e com quem nos relacionamos,  comunicamos e como nos movemos. O que ocorreu foi uma potencialização de tudo em proporções nunca antes vistas e aos olhos de todos. Dessacralizaram-se espaços, víveres e condutas.

As redes também nos mudaram de lugar sob um outro aspecto: até o advento delas éramos apenas consumidores solitários de informações. Consumíamos, e muito pouco podíamos opinar ou divulgar, o que víamos, sentíamos ou pensávamos. Hoje, temos a possibilidade de produzirmos conteúdos e compartilhamentos, tanto quanto formos capazes. Não há limites e em muitos casos nem regras.
E é exatamente em relação a estes limites que ainda estamos experimentando em relação às redes.

Quer ver?
Quanto somos capazes de produzir, quanto somos capazes de consumir? Quanto do que produzimos é consumido e com que proveito? Por quem? De que forma? Eis o terreno em que nos movemos. Incertezas e limites: eis com o que nos confrontamos. 

De outra sorte, o mundo em rede potencializou em nossa sociedade o anseio pelo consumo. Consome-se tudo e em profusão: tempo, imagens, bens, informação, histórias de outros e principalmente pessoais. É um enredo onde a publicidade de nós mesmos nos transforma em principal produto a ser consumido. O índice desse "valor" de mercado é dado pela quantidade de "curtir" que um compartilhamento alcança. E de novo nos vemos confrontados com uma sociedade egóica e muito preocupada com desempenho e performance. A competição acirra-se e superar índices anteriores, nossos ou de outros, acaba sendo a meta a ser alcançada.


Compartilhamentos que flertam e seduzem algoritmos: isso é o que no final das contas buscamos. Já que estar em evidência em rede significa entre outras coisas saber como disparar no outro o desejo do curtir. O flerte e sedução algorítmica pode, e quase sempre é, ser manipulável. Mas não por nós e sim pelo poderoso banco de dados do Facebook.

Manipulável a tal ponto que recentemente pesquisadores revelaram como influenciaram ânimos e índices de felicidade em usuários do Facebook. Através de manipulações de imagens enviadas às pessoas, um laboratório humano de emoções foi criado, com o fim de influenciar disposição de ânimos e índices de felicidade. 

O que resulta disso tudo é um mercado de aparências e ignorâncias. Aparentamos o que não somos e o que não sentimos e ignoramos nossas verdadeiras dificuldades, limites, insatisfações, dores. O mundo em rede é aceito facilmente como ópio de contentamento e moeda de troca para escondermos frustrações e desventuras.

É óbvio que fora do mundo da rede outros mecanismos de opacidade, manipulação ou controle também existem: haja visto o que vemos em relação a doutrinas sectárias ou fundamentalistas, partidarização midiática ou política, famílias tradicionais, regimes autoritários.
Ao que parece, todos estes comportamentos, mais do que ligados ao desenvolvimento tecnológico possuem, sim, um ingrediente que vem do Humano.
O ciberespaço simplesmente potencializa seu alcance e velocidade. Apenas isso.


Mas afinal, "o que você tem feito"?

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10 de set de 2015

Diga não à mediocridade

Escrito e lido por: Eliana Rezende

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Há quem diga que o que separa um expert de um amador é a dedicação.
Nessa linha de raciocínio, teríamos que o talento seria pura e simplesmente a capacidade de um indivíduo de se dedicar disciplinadamente a algo. E nesta perspectiva, em geral os que se satisfazem com sua mediocridade são os que preferem um determinado nível de conforto e deixam de dedicar esforço e empenho ao novo.



Do lado de cá fico pensando muitas coisas, mas acho que começo com um acordo com tais afirmações. 

Em geral, as pessoas preferem a zona de mediocridade, que é aquela exatamente que coloca todos como amadores em muitas coisas. Esta zona é a vizinha de condomínio da zona de conforto. Neste local todos plainam por muitos lugares e não se detém profundamente a nada. Especialistas em quase tudo, sem nada de fato conhecer a fundo. 

Poucos são aqueles que resolvem avançar, pular o muro do seu condomínio e buscar vencer os limites de seu quintal (seja ele pessoal, profissional, intelectual e até das afetividades). 

Aqueles que ousam ousar conseguem descobrir que podem ir além, mas isso significará esforço, empenho, muitas horas advindas de abrir mão de outras coisas e escolhas. E é aí que as pessoas preferem não ter que abrir mão. Assim, acha-se erroneamente que se consegue manter de tudo um pouco, ainda que seja mediocremente. Equivocadamente acham que ao abrir mão estarão perdendo, e se esquecem que as mãos precisam estar livres para que novo chegue. Ocupar-se demais e segurar-se ao que está atrás, além de não permitir o avanço na velocidade desejada, ocupa espaços e energias. 

E assim, muitos escolhem um trabalho medíocre, uma existência medíocre, um relacionamento medíocre. Tudo pelo medo de perder um trabalho, não conseguir um novo amor, ou não ser capaz de construir uma nova rotina para sua existência e vida. 

E de novo entramos em outra seara, que são as das escolhas: sempre pessoais e intransferíveis. Cada um tem as suas! E contra isso não há o que ser feito. 

Dizer não à mediocridade é caminho individual e que só pode ser trilhado por corajosos e audaciosos. Corajosos, porque admitir que estava confortavelmente instalado em uma zona e que esta não é a correta para si, é difícil. Não bastasse isso, fazer a mudança (já que muitos constatam, mas preferem ficar onde estão) é mesmo um ato de coragem. 

Daí que para resumir tudo, vejo que nada mais temos do que um caminho de autoconhecimento. E que como tal, cada um decide o seu, não cabendo a mais ninguém julgar ou criticar.
Pode-se apenas constatar!  

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