26 de jul de 2015

Nossa vida é nossa primeira ficção

Escrito e lido por: Eliana Rezende

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Li esta frase de uma quase xará: Eliane Brum em uma entrevista, e fiquei com ela na minha cabeça porque, desde sempre, acredito muito nas histórias que contamos para nós mesmos sobre o que vivemos ou experimentamos.

Em vários casos essas ficções de tão repetidas, quer pela palavra, quer por fragmentos de memórias passam a ser uma crônica. Uma crônica de nossa vida e de como reinventamos trechos de nossas histórias.
Desde cedo aprendemos que alguns fatos chateiam, envergonham, constrangem, ou seu contrário: enchem de alegria, de sons, de movimentos os nossos dias. Daí a necessidade de ora nos aproximarmos deles e ora nos afastarmos.



Seletivos em nossas memórias, aprendemos que podemos reinventar estes trechos e fazer deles uma longa história! E daí que as Memórias passam a compor este ficcional que vamos reescrevendo, aumentando e diminuindo de acordo com humores e vontades  Do ponto de vista de uma trajetória isto é perfeito, já que a ficção reinventada nos permite alterar percursos, ir e vir no tempo e no espaço e, quem sabe com isso, obter perdões, desculpas, razões, justificativas... não sei. O que vale é de fato pensar ficcionalmente e não ter preocupações com exatidões, verdades... elas não fazem parte da ficção!

A vida é assim um roteiro fantástico que permite, por meio de nossas memórias, edições, cortes, acréscimos e até omissões! De tão reais e palpáveis passamos a vida acreditando que de fato tudo aconteceu como na nossa narrativa ficcional.
Mas nesta grande ficção de longa metragem surpresas podem ocorrer:  podemos atuar ora como personagens principais, assertivos, determinados, cheios de vontades e opiniões. Mas às vezes, estamos mais parecidos a um objeto cenográfico. Em muitas vezes, a impressão é que trocaram os papéis e passamos inexplicavelmente à condição de um mero coadjuvante. Obra clara de um roteiro que às vezes não gostamos. Temos pressa de sair dele o quanto antes. E aí, vontades, opiniões, determinações aguardam a próxima cena ou um novo roteiro.


Mas o melhor mesmo é quando, de roteiro em punho nos sentimos diretores! Que maravilha! Afinal é aí,  que nos sentimos com poder de censura, corte, idas, vindas e voltas. Cenas fazem-se e refazem-se. E assim nossa história se constrói a cada nova visita de rememoração. Nos contamos muitas e variadas versões para os mesmos eventos. A ficção é assim um ato de vontade de fazer-se real. Não por sua existência de fato, mas por sua repetição em memórias. E talvez por isso, tenhamos tantas histórias a contar dependendo da plateia que escuta ou da vontade adormecida que nos visita.



Neste momento, alguns trechos de tão repetidos no nosso cinematógrafo parecem fixar-se pela eternidade. Mudamos-lhe tons, intensidades e o perpetuamos da forma como o lembramos. Outros, de tão fugidios não parecem nem ter sido vividos por nós. Perdem-se numa bruma difusa e espessa. São como uma história contada por outros: um roteiro de terceiros. Esquecemos dele. O deixamos lá numa gaveta de uma prateleira empoeirada de nossas memórias. Estarão para sempre ali, acomodadas sob o tempo. Mas quietas e sem interferências. É a quase não vida. No teatro do passado que é a nossa memória, o cenário mantém os personagens em seu papel dominante.


E assim, os porões de nossa existência vão guardando trechos de roteiros inacabados, abandonados ao lado dos roteiros rabiscados, vividos, interpretados e reinterpretados. Vez por outra, alguns deles são levados aos sótons de nossa existência. E ali, de forma quase que surreal nossa ficção como que ganha asas e permite-se que suas páginas voem ao vento. Ganham a liberdade de simplesmente mover-se por nossa imaginação como janelas abertas em dias de sol e brisa suave e amena.  Trarão um movimento sereno de memórias agradáveis que merecem estar sempre ao lado de dias claros de outono com folhagens douradas ao vento. Nos seguirão onde quer que estejamos. E mesmo quando nossa ficção parecer tomada por negras nuvens sombrias encontrará refúgio nestes dias e memórias. E no tempo em que o período de nossas ficções estiverem no seu término servirão de conforto e ninho para compreendermos o sentido toda a nossa história, escrita em tantos roteiros e com tantos personagens.




Neste ponto, tendo em mãos todo o calhamaço de ficções que produzimos, surge o momento do balanço final. Como em todo o roteiro ficcional, chegamos ao ponto culminante: afinal qual foi a vida que foi de fato vivida?
Aquela cronológica que aconteceu uma única vez, data e horários precisos ou as sucessivas ficções sobre ela, carregada de tantos movimentos, inserções, omissões, tintas e sons?

Qual ficção construímos de todos os dias até então vividos?


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12 de jul de 2015

Mídia hegemônica e seu séquito de midiotas

Por: Eliana Rezende

O século XXI inicia-se sob a égide da tecnologia e do acesso à Informação.

Moeda social de fácil circulação, a informação abunda em diferentes meios e suportes. Partilhada, compartilhada, inventada, emendada, negociada é exposta como sendo "direito" de todos.

Em sua origem, seria algo muito interessante.

Mas infelizmente o acesso irrestrito e em profusão de informação longe de representar um ativo, é em muitos casos um passivo de difícil gerência.


Um simples zapping nos canais de noticias (incluem-se aí: rádios, TVs e mesmo portais informativos), para alguns, nos fará notar um único diagnóstico: a imprensa vem sofrendo do que poderiamos chamar de crise de inteligência. A forma como tudo é apresentado: simplista e maniqueistamente nos faz pensar sobre, afinal qual seria o papel do jornalista de carreira.

Em sua maioria vemos uma rasa superficialidade, onde a ausência de uma reflexão ou aprofundamento de um fato simplesmente não existem. A obviedade de todas as construções chamam a atenção. Calcada em quase boatos, factoides, o jornalismo tende a nos fornecer construções folhetinescas. Deficiências primárias de contextos, estudo e análises.

Boas perguntas deveriam ser matrizes para boas respostas. Mas se aquele que deveria saber perguntar não o faz por não saber ou não querer, como obterá bons resultados?

A trama construtiva em cada um dos casos ganha o uso de bordões, chavões que massacram ouvidos e compreensões numa nítida tentativa de impor-se como uma única via e como tal, sem possibilidades de questionamentos e confrontos.



A fragilidade discursiva se coloca ao mesmo tempo em que nitidamente vê-se o impositivo de explicações maniqueístas de vida e de mundo, em especial nas temáticas com viés político e econômico. Numa teatralidade igualmente carente de brilho e talento, repórteres, âncoras e jornalistas tentam atrás de teleprompters convencer os que estão do outro lado da seriedade de seu relato ou gravidade de suposições, através de gestuais e franzidos de testa. Como se credibilidade se construísse por teatro e jogo cênico!

Frases quase sempre construídas com verbos como "teria dito, teria falado, teria visto" poluem textos, turvam mentes e são apenas fumaça que serve apenas para nebular os sentidos.    

Alçados em mediadores entre "fato e interpretação", tal impressa monotômica reduz perspectivas, banaliza interpretações, reduz possibilidades. Oferece-nos um mundo monocromático e patinado.
Reduzido em matizes, possibilidades e interpretações.
Tal quadro vem se agravando de forma assustadora.

Se pesquisarmos jornais dos séculos XIX e XX veríamos que os principais articulistas, cronistas e jornalistas eram homens de letras. Faziam escola na escrita de textos construídos com rigor e maestria. Muitos eram de fato obras-primas. O bom português era cultivado e aprendido. Os artigos eram construídos com rigor e responsabilidade. E mesmo sendo uma mídia partidarizada, os textos tinham sua virtude e encanto.

Mesmo quando a pauta era investigativa, os responsáveis iam fundo nisso. Checavam suas fontes e não deixavam nada a ser de fato investigado. Não calcavam-se em boataria de portas de presídios e corredores de fábricas e hospitais. Simplesmente investigavam. Hoje o que temos é vergonhoso.

A imprensa move-se e comporta-se de forma infantilizada e, em muitos casos irresponsavelmente coloca pessoas, reputações, vidas em lugares de injúria, difamação, equívocos e muitas mentiras.
Conduzem todos ao lugar maniqueísta de amor e ódio a ideias, pessoas, projetos. E é nítido que um discurso de ódio acaba sendo o que possui maior apelo: afinal atende de perto à satisfação imediata do maniqueísmo primordial humano.


O ódio é mais fácil ensinar que o amor porque ele (o ódio) dá um propósito imediato, sem qualquer esforço, enquanto o amor é nada além da bravura constante em face da incerteza total.

Tal estado de coisas, leva jornalistas, que de fato fazem jornalismo, a simplesmente parar tudo e refletir.

Nas palavras lúcidas de Luciano Martins Costa, ao se despedir do Observatório da Imprensa, depois de 15 anos de trabalho diário:
(...) Este observador vai interromper por tempo indeterminado suas análises diárias da imprensa brasileira através deste canal.
Os motivos que levam à interrupção desta jornada são muitos, entre os quais não é possível fazer uma hierarquia de relevâncias. Talvez fosse possível contornar alguns deles, mas há uma causa que não pode ignorada: não há muito mais o que se analisar na mídia informativa brasileira.
Os principais veículos da imprensa se transformaram em panfletos políticos e vasculhar o noticiário em busca de jornalismo que valha uma referência tem sido como buscar um fio de cabelo no palheiro.
...
A única pauta que interessa à mídia tradicional do Brasil é a agenda da desconstrução da aliança que controla o Poder Executivo desde 2003.
Mas essa é uma questão que os leitores atentos reconhecem em cada linha do noticiário, em cada expressão dramática nas faces dos apresentadores dos telejornais de maior audiência. Os demais – aqueles que tomam por verdadeiro tudo que sai na imprensa – seguirão repetindo a linguagem chula dos pitbulls que trucidam a língua culta e subvertem a narrativa jornalística.
...
Mas sabemos todos que, uma vez colocada a lente da crítica sobre a imprensa, você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito".


De outro lado, tais agentes panfletários encontram ouvidos e mentes, não de leitores (que supostamente deveriam saber ser críticos e não simplesmente tomar cada vírgula como verdade absoluta),  mas do que o próprio Luciano Costa, chama de "midiotas".

Os midiotas são aqueles que tomam os relatos de forma bidimensional. Não são capazes de entender contextos e conexões de sentido. Faltam-lhe estofo e dimensões  históricas, sociais, políticas. Não entendem o mundo como produto de relações que se tecem no tempo/espaço. Assim, mundo ganha ares apocalípticos. É o maniqueismo fundamentalista ganhando ruas e tendo nos midiotas um coro de rancores, preconceitos, xingamentos, e tudo o que de mais vil os meios de comunicação podem produzir. Tomam o que leem de forma literal e, pior do que tudo, reproduzem como chavões o pobre linguajar chulo de pitbulls. Em sua visão torpe acreditam estar fazendo crítica social!

Em verdade, são incapazes de articular um raciocínio crítico ao que lhes é exposto em quantidade por uma mídia hegemônica que pratica todo o tempo a desinformação como tática.

 

Estes midiotas desconhecendo as sutis distinções e matizes de pensamento do político, social, cultural conseguem posicionar-se mais frequentemente em meros termos moralistas e legalistas, de bem e mal absolutos. Afinal, é a forma mais rudimentar e primitiva de pensamento, a mais simples de todas.
Não sabem que entre um polo e outro há uma imensidão de nuances e perspectivas.
Não sabem que História não se escreve em dias ou horas para satisfazer desejos imediatos. Escreve-se no tempo, pelo tempo e sua face não se dá a conhecer apenas por meio de uma manchete sensacionalista.

E mais uma vez cito Luciano Martins Costa:
"A opinião pública(da), quando concentrada nas mãos de um cartel, possui grande poder de agendar e interditar debates ao gosto do dono da editoria. Esta distorção gera efeitos deletérios no processo democrático e de tomada de decisões (...) O viés conservador, predominante na mídia, martelado diariamente sobre as pessoas, induz a posicionamentos reacionários, defensivos e individualistas" (...) A sociedade é influenciada na medida em que um grande número de indivíduos perde a noção daquilo que é do interesse coletivo e das responsabilidades individuais na construção de uma sociedade (...) Como o interesse social é difuso, o discurso manipulador da mídia transforma facilmente o sentido dos fatos".

Sem saber "ler" as intenções deste ecossistema da comunicação, as vítimas tornam-se midiotas carimbados. 

E assim seguimos observando escritos e leitores de um tempo onde a crise de inteligência midiática impera e uma fauna rica em equívocos prolifera. Tempos onde a massa de manobra é grande e não sabe para onde vai. Seguem amontoados movimentos de manada repetindo mantras, sem noções de passado, presente ou de qualquer perspectiva de futuro. Não entendem como o mundo e todo seu entorno é feito de contextos, muito mais complexos do que os apresentados no noticiário.

Que falta boas letras e leitores fazem!  


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3 de jul de 2015

Chamem o carteiro: preciso de boas notícias!

Escrito e lido por: Eliana Rezende 

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Em que ponto, em que rua ou travessa de sua existência seu carteiro parou?
Sim, aquele personagem que o visitava todos os dias, mas não com faturas de contas ou boletos bancários, cobranças várias, mas sim, aquele que lhe trazia notícias de longe?
Aquele que por anos a fio visitava toda a sua rua e conhecia cada morador por nomes, hábitos e caligrafia?


Incrível como o tempo e as tecnologias nos afastam de alguns personagens urbanos. O carteiro era destas figuras que por largos tempos eram esperados todos os dias de forma ansiosa num misto de muitos sentimentos. Às vezes havia euforia, risos, contentamento, outras tantas tristeza, preocupação, melancolia, saudades...

Sua vinda representava que alguém em alguma parte havia tomado tempo de suas horas e nos dirigido palavras... muitas carregadas de emoção. Algumas noticias chegam acompanhadas de pequenos retalhos, detalhes, inserções: pétalas de flores, fotografias, marcas de batom, papéis coloridos, folhas secas.


O tempo das escritas manuscritas perdem-se na história, e em alguns casos já não são nem mais referência de coisa alguma. O carteiro e suas cartas em papéis perfumados, coloridos povoam mentes de poucos e em geral, tem em comum uma mesma geração. A mesma que colecionava envelopes, papéis, selos, canetas coloridas.

Era este personagem que carregava em suas mãos nossos amores, segredos, saudades, esperanças, promessas, planos. Em pedaços pequenos, geometricamente cortados eram carregados em ordem numérica no crescer ou decrescer da ordem das casas distribuídas pela rua. Mas nem por isso, deixava de saber o nome do remetente e destinatário. Amigo íntimo de cães, senhoras, gatos, moleques e bolas. Tinha de driblar todos para conseguir cumprir sua função que era a de nos fazer chegar nossas mensagens.


Sabia guardar segredos e zelava para que nunca uma carta encontrasse mãos erradas ou indevidas. Zeloso cuidador.

Em dias de chuva o cuidado era redobrado: afinal a água que vinha do céu não podia estragar sua preciosa carga. Se tivessem que ser molhadas que fossem pelo sal das lágrimas de contentamento ou tristeza de um destinatário qualquer, mas nunca por uma faxina de São Pedro pelos céus da cidade!
E ainda haviam os postais.

Ah...os postais!
Quanta imaginação e emoção provocavam.
Receber um era daqueles sinais de mais alta estima e conta. Afinal alguém distante em viagem de passeio ou negócio havia parado, escolhido, postado e enviado uma mensagem que vinha como imagem recortada de um sonho de deslocamento. Quantas gavetas e quantas caixas estes postais encheram por tantos lugares através do tempo. Ofereciam ao seu destinatário a possibilidade de simplesmente embarcar em trechos de belas histórias, em roteiros imagéticos que seriam em um encontro de retorno completamente detalhado e destrinchado com notas e explicações. Com sorte ainda ganhariam fotografias posadas trazidas pelo viajante. E para além de tudo traziam a escrita em próprio punho do emissor.
Em seu verso eramos agraciados com um carimbo de local e data e quase sempre um belíssimo selo. Uma composição para os sentidos e imaginação.


Uma preciosidade que só nos alcançava graças às mãos e ao trabalho de nosso personagem carteiro.
Portador de tantas histórias miúdas, acontecidas como que a conta-gotas e dia a dia sentia-se feliz e orgulhoso de participar desta troca.

Às vezes chegava-nos urgente, com pressa: trazia um telegrama. Era comum quase esperar sua abertura para saber se haveria risos ou tempestades. A euforia e pressa do destinatário em geral não esperava o portão se fechar.
As palavras aqui eram curtas, cifradas e teriam que valer pela urgência na entrega.

Hoje os tempos são outros. Não sabemos nem o nome e nem a cara de muitos carteiros. As casas diminuíram muito e na imensidão de prédios condomínios contam com a ajuda de caixas impessoais com números e chaves. Nunca sabemos quem por lá andou e em geral, o volume que nos chega passa muito longe de ser agradável ou motivo de memórias e lembranças. Apenas cumprem uma função logística de distribuição, onde o que conta é mesmo um número dentro de um escaninho ou caixa.

As noticias alcançam-nos por outras vias. Talvez mais rápidas e imediatas, mas com certeza sem a aura de tempo e cuidado dispendido em sua elaboração e destino.
E então, chamem meu carteiro: quero boas noticiais!!!


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