29 de out de 2014

Se não está Google, será que existe?

Por: Eliana Rezende



Interessante a pergunta, mas ela não é minha. O pessoal do Programa Pé na Rua, da TV Cultura, levou esta questão para as ruas para ver o que e como pensam as pessoas.

Veja só as respostas que tiveram:


Apesar da pergunta não ser originária minha vejo que é uma pergunta que está diretamente ligada aos chamados nato-digitais.
Interessante como uma ferramenta em poucos anos pode ter alcançado um estado de unanimidade em especial pelos mais jovens. No programa é nítido como o mundo para além da Googlelandia quase não existe!
Percebe-se nitidamente o espaço de inconsciente coletivo que esta ferramenta alcançou.

Vejo que um bom caminho seja desenvolvermos um sentido de crítica ao dito e ao escrito, que pelo visto vem faltando para muitos. A dúvida e o espírito investigativo também precisam de uma maior lapidação: do contrário formaremos apenas uma geração de respostas prontas!

O caminho essencial é que consigamos que os mais jovens descubram que tudo o que temos são ferramentas. A construção do conhecimento passa por outra via e que tem absolutamente a ver com essa inquietação investigativa, espírito crítico e boas perguntas. Sem elas o que temos é só a "coleta" de informações. Em vez de produtores transformamo-nos em coletores e reprodutores. O mundo precisa de mais do que isso, não é mesmo?


Há duas coisas aqui: uma é a possibilidade de buscador que o Google oferece e que como tal representa uma resposta algorítmica àquilo que estamos buscando. Apenas e tão somente isso: é uma máquina que responde como uma.

De outro lado, há nós, os que não somos capazes de comportamentos algorítmicos, mas que temos a nosso favor a possibilidade de repostas que se baseiam em pensamentos críticos, e portanto individuais.
Se tomarmos a concepção de Lévy-Strauss e Castells, para citar alguns, que a inteligência humana poderia se expandir a partir do ciberespaço (que seria uma inteligência coletiva), o Google vem na contramão propondo buscas customizadas a partir do indivíduo. Com isso funcionaria como um limitador para a expansão e o desenvolvimento desta inteligência que ocorreria de forma natural sem sua interferência.

Para além disso, temos que pensar que toda a rede (inclui-se aí Google, Bing, Facebook, entre outros) há um sempre presente interesse mercadológico por trás. E de novo, os resultados obtidos customizados por indivíduos estarão cada vez mais voltados, não provavelmente para o que você quer ou busca, mas para o que tais buscadores e plataformas querem lhe mostrar.
E caímos na via oposta à dos objetivos pelos quais a internet começou a se expandir: a liberdade.

Dando-nos a errada sensação de que somos nós quem está fazendo as buscas e encontrando os resultados. Em verdade o Google nos direciona ao que Ele quer. E faz isto de tal forma, que exclui todas as outras possibilidades, nem nos disponibilizando as demais. Esta falsa sensação de autonomia com liberdade, mascara o quanto nos tornamos reféns fáceis de um mecanismo.

Um dos precursores da realidade virtual e crítico da web 2.0, Jaron Lanier defende um caminho diferente para se utilizar a rede. Ele é defensor de uma internet aberta, mas não completamente gratuita. A questão levantada por Lanier é estrutural. O problema é que a rede, gradualmente, direciona e agrupa os usuários em blocos. As informações ‘sugeridas para o seu perfil’ escondem uma variedade enorme de outras possibilidades e, ao categorizar por ‘gostos’, tornam o usuário um produto bem definido para publicitários, por exemplo. Ou seja, no modelo atual, quem lucra mais são os sites de busca e as redes sociais, e quem sai perdendo são os criadores, que dependem dos direitos autorais para viver.


Todo nosso rastro tecnológico por sites, likes, links e afins, indicam exatamente quem somos e nosso perfil consumidor, com quem nos relacionamos, nossas preferências e crenças. Tudo engendrado de modo a nos transformar em produto de nós mesmos.

O maior risco de tudo isso é o Google pouco a pouco transformar-se ao olhos de seus usuários, na única e melhor lente para olhar e entender o mundo. Dá-se à ferramenta o sentido extremo de onipresença e onisciência.

Além de tudo, institui-se uma preguiça pela pesquisa. Comodamente, as pessoas preferem seguir as listas indicadas pelo Google e muitas sem fazer uma análise criteriosa, simplesmente "consomem" como sendo o certo, o melhor, o único.

SivaVaidhyanathan realiza uma análise crítica a respeito dessa poderosa organização,
“cuja missão consiste em organizar toda a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil.” (VAIDHYANATHAN, 2011, p. 16). 
[...] o Google nos avalia e constrói seus sistemas e serviços de modo a satisfazer nossos desejos e fraquezas. O Google funciona para nós porque ele parece ler nossa mente – e, em certo sentido, é o que faz. Ele adivinha o que uma pessoa está procurando com base
nas buscas feitas por ela e por outros iguais a ela. (VAIDHYANATHAN, 2011, p. 66).
Vaidhyanathan esclarece que o algoritmo PageRank do motor de busca do Google fornece 
listas de opções bem apropriadas mesmo que o termo digitado seja vago, enquanto o 
usuário nem tenha mentalizado exatamente o que deseja:
[...] Além disso, o Google nos condiciona a aceitar essa lista e acreditar que, de fato, ela nos oferece o que queremos. A capacidade de sugestão do Google Web Search, explicitada pela lista de opções que aparece quando começamos a digitar, é a mágica que nos aprisiona. De muitas maneiras, o Google nos avalia e compreende melhor do que nós próprios o faríamos. (VAIDHYANATHAN, 2011, p. 66).
Portanto, vejo a "brincadeira" do Programa Pé na Rua em pôr em xeque esse status de "verdade" que o Google acaba tendo muito instigador. Faz-nos ver que as pessoas tornam-se consumidoras do que muitas vezes é postado e veiculado sem uma preocupação crítica com sua autenticidade. Toma-se os resultados obtidos como sendo uma "verdade absoluta", inquestionável, a melhor e única resposta.

Talvez a ideia seja de fato encontrar o meio do caminho. Sempre cabe para, se questionar e buscar outros caminhos e possibilidades. Nunca ser um consumidor passivo do que buscadores oferecem.

Ainda ficam para outro post noções fundamentais sobre como o Google pode afetar nossa cidadania, segurança, privacidade...conversa para outra vez!



***
Referências:
[Link 1:]
[Link 2:]
[Link 3:]

_________
Posts relacionados:
Inteligência em Inteligência Artificial?
Consumidores ou Coletores de Informação?
Qual o perfil do Gestor de Conhecimento?
Curadoria de Conteúdos: O que é? Quem faz? Como faz?
Chegamos ao fim da leitura?
Geração Touchscreen
Facebook: robotização e sedentarismo em rede
Em Tempos de Tintas Digitais: Escritos e Leitores - Parte I

*
Curta/Acompanhe o Blog também através de sua página no Facebook

16 de out de 2014

Democracia de sofá e mídia partidarizada

Por: Eliana Rezende

De um sofá a vida parece ser... até confortável.
Pode-se aninhar preguiçosamente, ajeitar uma ou outra almofada e acomodar-se diante da TV.
Preguiçosa e languidamente consomem-se guloseimas e toda forma de venenos prováveis e improváveis.
A democracia assim exercida fica fácil. Um consumo estreito e raso, muitas vezes sem crítica aprofundada. Chavões se repetem como mantra, ódios destilados.

A mídia (e, esta sim cada vez mais partidarizada) oferece diuturnamente um espetáculo de desinformação como tática, com esvaziamento do que seja o sentido de sua existência que é a de informar.


Como num ringue, cada um quer dar o último golpe. Aquele que levará o adversário ao tatame, sem chances de pôr-se em pé ainda durante o combate. Não importa se a vitória dar-se-á por pontos.
Em diferentes momentos vê-se nitidamente que é um vale-tudo de parte à parte.
E como tudo o que representa violência, assistida e consumida, não há crítica consistente.

Achincalhos, vazamentos, supostos istos e aquilos.
Como num roteiro escrito para dramalhões e novelas tudo transcorre bem amarrado e conduzido. De fato um espetáculo de sofá! Mas democracia é mesmo algo muito diferente. E roteiros, quando saem do script, sem dúvida causam algum transtorno.

Em verdade, o exercício da cidadania e democracia feitos a partir de sofás apresentam-se como alienantes. Viciam-se olhos e ouvidos e o mantra repetido soa como verdade absoluta, abandona-se com isso a capacidade de pensar e articular por conta própria preceitos e informações.

Paradoxalmente, e segundo os dicionários, Democracia teria como uma de suas principiais funções:
“a proteção dos direitos humanos fundamentais, como as liberdades de expressão, de religião, a proteção legal, e as oportunidades de participação na vida política, econômica, e cultural da sociedade. Os cidadãos tem os direitos expressos, e os deveres de participar no sistema político que vai proteger seus direitos e sua liberdade”.
E em nome dela, e a partir do sofás, todos estes direitos acabam sendo esquecidos, e o vizinho do lado no outro sofá pode ser seu “inimigo público” número um. Complexidades do humano...
Afinal, ser bom em algumas concepções significa suprimir direitos e impor os seus próprios. Ainda que isto signifique invocar toda sorte de impropérios em nome da lucidez partidária.
Mas não há apenas os adeptos da democracia de sofá!


Há os que escolhem uma outra forma de manifestação: vão às redes sociais, e dali do seu suposto anonimato transgressões, preconceitos, ódios e mesquinharias são ainda mais reproduzidos e incentivados por seres que, incapazes de pensar sobre, replicam compulsivamente tudo o que parece ir de encontro às suas verdades.

Destituídos do sentido de convívio que a cidadania oferece, e cada vez mais isolados tais indivíduos assemelham-se a simples autômatos. Usados, apenas e tão somente, para fazer volume e compor massa de manobra.  Fazem apenas eco. Servem àqueles que, sem escrúpulos, tem objetivos claros de manutenção das suas teias de poder. Servem em quantidade e nunca em qualidade de pensamento crítico.

A Internet, favorece com isto a opressão, alienação e reducionismo se utilizada, não como veículo de expansão de liberdades e livre pensamento. Rapidamente pode sair da esfera das liberdades para transformar-se na mais sórdida vilania contra o diferente, contra o Outro. Pode sair da livre expressão para a restrição e apequenamento de pessoas, ideias e projetos. Daí para intolerância, preconceito, ódio é um passo bem pequeno. Esgotadas as possibilidades de discurso racional o último e mais vil argumento é a desqualificação.

Da cômoda poltrona, ou em cima de um sofá, diante de uma tela, é fácil distribuir infâmias, achincalhos e venenos. Mas o que cada um destes faz quando estão nas ruas, no trabalho, na escola, na vida? Com o que contribuem? O que fazem para tornar sua existência e a dos demais melhor?
São estes mesmos que esperam que todo lhes caia do céu? É preciso lembrar que até isto anda em falta!
Veja São Paulo...

_____________
Posts relacionados:
Desinformação como tática midiática
Consumidores ou Coletores de Informação?
Facebook: robotização e sedentarismo em rede

*
Curta/Acompanhe o Blog através de sua página no Facebook

8 de out de 2014

Infância roubada

Por: Eliana Rezende

Roubam-se infâncias. Expropriam-se direitos e vidas.
Do lado de fora, guerra e ruínas, pouco para comer, trapos para vestir, feridas para cuidar. Janelas sem vidros, paredes cobertas de mofo. Para aquecer-se apenas o calor de outros corpos. Pés descalços e desolação ao largo. Caminhos estilhaçados feitos de abandonos, pedras e entulhos.
Não há para onde voltar e nem para onde ir.
Tanta agrura sob luzes e sombras... 

Cenários de desolação, fome, morte, doenças e condições desumanas. A guerra retira de todos sua dignidade e vontade. Instala apenas o básico da luta pela sobrevivência, nem que esta, ao invés de pautar-se na solidariedade, paute-se na luta contra o próximo. Luta entre desiguais. Sempre...

Pauperismo físico, mental, emocional... Almas carentes e em agonia de ser e estar.


Mas se não estão em campos de refugiados ou áreas de guerra, encontram-se em campos de carvão, minas, oficinas, lavouras... onde suas mãos miúdas tecem, quebram, queimam migalhas que garantem a manutenção apenas diária. Cobrem-se de terra, lama, poeira, cinza, graxa. Consomem-se ante o calor escaldante, gélidas temperaturas ou chuvas torrenciais.

O asfalto os planta em cruzamentos de espaços urbanos, onde bolas, balas e malabares tornam-se moeda de troca para engrossar formas de expropriação das pequenas somas obtidas no decurso dos dias.

Há ainda o próprio corpo: destituído, expropriado, prostituído. Possuído à força, pela vilania ou simplesmente pelo prazer do sofrimento do mais fraco. Não necessariamente vem do desconhecido e distante. Pode morar sob o mesmo teto. Pode ter nas veias o mesmo sangue. De novo luta entre desiguais.

Sem solidariedades, encontram no silêncio armas contra si vindas de iguais veias. Muitos tem nos progenitores as figuras de cúmplices coniventes.  


A exploração infantil tem assim muitas faces. Mas há também outras formas de abandono!
Aquelas onde não há o cuidado dos limites. Dos nãos. Onde o excesso material é fornecido para compensar ausências e carências emocionais e de filiação. Deixados a sós e cuidados por suas babás eletrônicas descobrem cedo que seu poder de barganha é dado pelo que conseguem consumir.

Consumir se transforma no objetivo único e propósito de suas vidas. As relações passam a ser medidas apenas pelo que se possui. Pequenos e cruéis ditadores nas suas relações com os mais velhos e ausentes. Ausências feitas não apenas de presença física, mas de sentidos morais, éticos e de valores.


Tiram-se de existências tempos... da infância, da inocência, da alegria e leveza, do brincar!
Sequestros de chances e de possibilidades.

Para onde ir? Com que tintas mudar as cores desta paleta?
Onde está o sonho roubado? Por qual janela voou?
Provavelmente no próximo sorriso que nasce, na vida que brota em meio as pedras, nos raios da luz pálida de um dia dourado de outono, nas solidariedades tecidas por vidas que se cruzam e compatibilizam...


Ou...
Na vida que se deixa voar e liberta-se!



_________________

Posts relacionados:


*
Siga:
O Blog em sua página do Facebook:
Meu Portal: ER Consultoria | Gestão de Informação e Memória Institucional
No Twitter: @ElianaRezende10


Desagravo paulistano

Por: Eliana Rezende

Em geral, o que move a escrita são inquietações e o caso específico das eleições de outubro de 2014 deixaram-me várias delas aqui dentro. 
Reflexões ainda que sob o calor da hora são inevitáveis.
Meu ponto de observação é o de uma paulistana, nascida, vivida e malcriada nesta terra e, que assiste entre perplexa e estarrecida, os resultados de urna do seu Estado a partir de seu exílio voluntário.

São Paulo é para mim uma grande incógnita e pergunto-me: o que foi que aconteceu?
Não sou nenhuma militante política, mas é impossível não pensar no grau de despolitização em que a sociedade paulistana se encontra.
Diretamente de seus sofás e diante de noticiários pasteurizados repetem o mantra que ouvem de uma imprensa que prática sem pudor a desinformação como tática.
Frases prontas, jargões, transferências de responsabilidade a outras instâncias de poder e nada mais. Seria o caso de falarmos em amnésia coletiva, opacidade intelectiva ou apenas e tão somente obtusão e burrice?
E da parte da imprensa? Blindagem partidária? Má fé?


Pergunto-me como é possível o Estado onde houve as maiores manifestações por Saúde, Educação, Transporte, Segurança, ir às urnas e (re)eleger Geraldo Alckmin como Governador, mais do mesmo há décadas!
Não era o "novo" que se pedia?!

Será mesmo que se esquecem que há mais de 20 anos no poder é responsável pela ingerência e decadência que São Paulo assiste em todos estes âmbitos de descontentamento?
Será que se esquecem que é neste Estado que foi instituída a aprovação automática levando analfabetos funcionais a acharem que estão alfabetizados?
Esquecem-se que no ensino médio, em português, apenas 26,8% dos alunos têm desempenho adequado; em matemática, o número cai para 4,8%, segundo dados do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação de Ensino Básico) de 2012? 

E será que se esquecem dos salários pagos à classe dos professores e que por décadas faz do ensino de São Paulo um dos piores do Brasil? E que se São Paulo fosse um país, estaria na 58ª posição, abaixo de Brasil, Uruguai e Chile e acima somente de oito países, incluindo Jordânia, Argentina, Colômbia e Peru?



Será que se esquecem da truculência, a violência e a criminalidade que assolam  o estado, e que em boa parte vem dos próprios quadros da polícia estadual?
Será que se esquecem dos motins, rebeliões e ataques realizados de dentro dos presídios paulistas para espalhar terror e morte pelas periferias e áreas centrais da cidade? Presídios estes usados como filial do crime e da contravenção, com o consentimento e imobilismo do Estado?
Onde nem celulares deixam de ser utilizados?

PCC e o crime organizado dos presídios paulistanos

Será que se esquecem que existem risíveis 74 Km de linhas de metro construídas em mais de 20 anos de governo em uma cidade que os índices de congestionamento no final do dia batem 340-380 km em alguns dias da semana?! Com uma colher de sopa, tuneis são cavados com velocidade maior em presídios!
Que os mesmos indecentes trilhos oferecidos de metro escondem atrás de si dinheiro puro de propinas e corrupção cujos cofres na Suíça estão abarrotados e cujos termos disso nem são tocados ainda que de leve pela mídia paulistana e por tabela nacional? E que boa parte do financiamento de campanhas vem exatamente destas fontes? 
E ainda se esquecem das constantes panes e problemas nas redes de trens, prejudicando a vida e a economia do milhões de pessoas nos seu direito de ir e vir, produzir?
Será que não enxergam a quantidade absurda de tráfego de caminhões nesta metrópole, onde apenas 80 mil dos 2,5 milhões de contêineres que chegam no Porto de Santos são transportados por trens?


Metrô de São Paulo
Será que se esquecem do desmantelamento da TV Cultura e da perda de grandes repórteres e grade de programas educativos bem sucedidos em nome de nada?
Será que se esquecem que a maior Universidade do país (USP), graças a imposição de um reitor pelo governo estadual conseguiu levar à cabo recursos milionários?
Será que se esquecem que o destino de implantação da USP Leste foi num terreno de lixão tóxico? 
Será que se esquecem de que o Museu Paulista USP teve de ser fechado às pressas devido a sérios problemas de deterioração causados por descuido e falta de verbas sofrido por décadas de descaso?

Esquecem-se dos desvios de verbas de dinheiro público e o consequente fechamento da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo?

E será que se esquecem das obras de saneamento e desassoreamento do Rio Tietê que nunca ocorrem, ou, como ocorreu no Governo Serra, simplesmente foi descontinuado gerando inúmeras enchentes nas épocas de chuva? O rio passa por um processo de despoluição há 22 anos. Já foram consumidos US$ 3,6 bilhões. E há alguma diferença?
Nada!

E será que se esquecem da irresponsabilidade e ingerência nos usos e recursos da água em São Paulo?
Será que se esquecem ou não sabem que somente 50% do esgoto é coletado e tratado pela Sabesp.
O restante corre livremente para os rios e mananciais, deixando-os malcheirosos e poluídos?


Reservatório da Cantareira - exemplo de ingerência Estatal
Mas, se não bastassem todos estes esquecimentos cristalizados em repetições cotidianas como uma normalidade e modus vivendi paulistano, temos a sagração de tudo em nomes como Celso Russomano, Tiririca, Feliciano, José Serra e Maluf para ficar como os mais votados!
Heim?

Ai, faltando-me palavras, faço minhas as de outro paulistano, José Simão, direto de sua coluna diária:
"E vendo a cara de todos que ganharam, eu pergunto: pra que teve manifestação mesmo?" 
Será que a "locomotiva paulistana"decidiu ir desgovernada a todo vapor para o passado reacionário?
Será?!

_____________

Posts relacionados:

Desinformação como tática midiática 
Vida sustentável nas Cidades é Cultural. E, isto se aprende!
Contradições em vidas modernas
A arquitetura do medo e a vigilância consentida
As faces de Sampa


*
Curta/Acompanhe o Blog também através de sua página do Facebook